PERRENOUD, PHilLIPE. ENSINAR: AGIR NA URGÊNCIA, DECIDIR NA INCERTEZA.  (CONCURSO - LIVROS E ARTIGOS) escrito em terça 29 dezembro 2009 19:03

DECIDIR NA INCERTEZA., PHilLIPE. ENSINAR: AGIR NA URGÊNCIA, PERRENOUD

PERRENOUD, PHilLIPE. ENSINAR:  AGIR NA URGÊNCIA, DECIDIR NA INCERTEZA. PORTO ALEGRE: ARTEMED, 2001 (CAP.5)

         O TRABALHO EM EQUIPE PEDAGÓGICA:  RESISTÊNCIA E MECANISMOS

Neste capítulo o autor vai enfocar o trabalho da equipe pedagógico.  Principia distinguindo as diferentes formações de equipe, a seguir analisa os mecanismos presentes no sistema educativo nos estabelecimentos de ensino e depois descreve as resistências ao trabalho em equipe. Pseudo-equipe, equipe-lato sensu e equipe stricto- sensu.

 

 A equipe pedagógica entre coordenação das práticas e o team teahing

Como se formam as equipes.  Por um poder hierárquico  externo ao grupo, onde os membros só têm uma escolha: ou participam ou não participam.  Por escolha mútua dos indivíduos. Trabalho com parceiros escolhidos por eles próprios. A construção das equipes variam entre a liberdade e obrigatoriedade de acordo  com a especificidade do trabalho a ser realizado.

E NA ESCOLA

Há um equívoco comum quando a escola considera equipe qualquer grupo que por força das circunstâncias  têm que trabalhar juntos, no mesmo projeto, com os mesmos alunos, com as mesmas disciplinas,  etc.

Segundo Perrenoud, na escola encontramos a equipe imposta, existe apenas no papel, pois se supõe que os professores trabalham juntos. Não há resistência, porém não há aceitação da autoridade que controla o trabalho.

Equipe autorizada/estimulada:  não há obrigatoriedade de participação os  professores são estimulados a trabalharem juntos.

Equipe proibida/desestimulada; não se deseja o trabalho em equipe e barreiras são colocadas para impedir esse tipo de participação.

Comum na maioria das escolas, equipes formadas pela associação de professores, coordenados por um especialista, algumas se limitam a troca de idéias ou a práticas recíprocas, sem nenhuma imposição dos membros.   Equipe lato sensu – um grupo de reflexão e troca, que apesar do ambiente estimulante, do compartilhamento de idéias, cada membro permanece sozinho com sua responsabilidades e tarefas concretas.

Perrenoud propõe a discussão em torno da equipe strictu sensu: grupo de pessoas que agem verdadeiramente juntas ou que colaboram com o mesmo trabalho, fazendo efetivamente parte de um sistema coletivo, onde renunciam voluntariamente a parte de sua autonomia.

Mais sinteticamente, propõe uma abordagem entre a dicotomia:

- Equipes pedagógicas que coordenam as práticas conservando seus alunos.

Os professores interagem com os mesmos alunos, por compartilharem a mesma classe mas não se responsabilizam  coletivamente, pois cada um tem a sua vez, suas atribuições específicas com estes alunos.

- Equipes pedagógicas cujos membros compartilham coletivamente a responsabilidade pelos mesmo alunos.

Assumir a responsabilidade por um grupo de alunos não é apenas dialogar, tomar decisões, elaborar materiais comuns, regras de vida e funcionamento, criar situações didáticas e instrumentos de avaliação.  Significa gerenciar coletivamente um grupo de alunos, o que impõe uma coordenação mais apurada sobre as práticas. Isso faz com que seja possível ver melhor as divergências e as falhas entre os membros da equipe.  A cobrança se faz presente de forma que os “membros da equipe entrem em acordo”, pois a falha não é do indivíduo, mas do grupo.

MECANISMOS PARA O ESTABELECIMENTO DE ENSINO E O SISTEMA EDUCATIVO:

 Uma Nova Cultura Profissional.

Para Perrenoud o trabalho em equipe nos estabelecimentos de ensino não é tarefa dos professores, mas principalmente, dos diretores (equipe gestora), uma vez que o trabalho em equipe modifica o funcionamento do conjunto, as relações de poder e acarreta perdas e ganhos aos estabelecimentos de ensino.

O que os estabelecimentos tem a perder quando gestores e mesmo alguns professores não estimulam o trabalho em equipe:

- A gestão fica mais complicada, pois é preciso levar em conta as escolhas mútuas dos professores.

- Há uma interferência nos procedimentos burocráticos, como atribuição de aulas e elaboração de horários.

-  Cria a divisão entre o  corpo docente: os que trabalham em equipe e os que são individualistas.

- Exigem privilégios, derrogações, providências e fontes suplementares.

- Adotam inovações audaciosas, colocando em risco o estabelecimento de ensino.

- Constituem um “contrapoder”, muito mais forte por ser coletivo, frente a direção da escola.

- Contestam regras e ameaçam a ordem tradicional.

- Podem criar “uma escola na escola” com regras e política próprias.

O que os estabelecimentos têm a ganhar ( equipes pedagógicas como fontes de renovação e dinamismo)

- Animam o debate no meio dos estabelecimentos de ensino, introduzem  novas praticas, contestam tradições.

- Fazem com que os  professores rompam com o individualismo.

- Permitem flexibilidade de organização de classes e ensinamentos.

- Influenciam o clima geral com mais otimismo e menos passividade  frente ao sistema.

- Podem resolver melhor problemas e crises, fazendo com que a direção avance.

- Facilitam a desconcentração ou descentralização dos poderes de gestão.

Neste contexto de autonomia o trabalho em equipe  pedagógica torna-se uma necessidade para que a mudança seja possível: é a cultura da cooperação, que não se resume apenas na colaboração entre colegas, mas envolve a gestão participativa (Demally) a autoridade negociada (Perrin) e auto-avalaição dos estabelecimentos de ensino (Thurler)

Não é possível superar obstáculos com toque de varinha de condão. Todavia, o tempo não fará com que as coisas avancem.  O que nos falta , tanto nos estabelecimentos de ensino quanto nos locais de formação, é a prática contínua de explicitações e legitimações nas dificuldades.

Ensinar é uma profissão difícil, nada estável, cada nova turma é uma incógnita, cada aluno em dificuldade é um enigma cada ano letivo é uma aventura. A rotina didática não garante definição e o respeito do contrato pedagógico.

Uma nova Cultura Profissionais – Uma cultura Cooperativa – Uma Política de Competências.

Segundo Perrenod , atualmente há nos meios educacionais duas tendências em enfrentamento, distintas nas equipes pedagógicas.

Uma busca a profissionalização do ofício de professor, ou seja, o trabalho de ser pensado em termos de objetivos gerais e éticos. Exige de cada um, competências de alto nível orientadas para a resolução de problemas e capacidade de cooperação, que seria a junção de várias forças tornando o todo mais forte que as partes. Neste contexto o trabalho em equipe não é conquista individual dos professores, mas uma dimensão essencial de uma nova cultura profissional: Para Thurler – cultura da cooperação e Hargreaves collaborative culture. ( professores autônomos e parceiros)

Outra tendência segue o sentido da proletarização da profissão de professor, muito presa a estratégias didáticas, meios de ensino e de avaliação pensadas por especialistas e entregues prontas para o consumo dos professores.(professores executantes inteligentes, porém dóceis).

A competência de Cooperar , que supõe a competência de Comunicar, também construída em função da experiência e de uma prática refletida, porém sem cultura psico-sociológica, a reflexão pode levar por exemplo, à  rejeição da responsabilidade por eventuais disfunções dos parceiros, recusando-se a fazer “parte do problema. Uma formação que desenvolva o pensamento sistêmico não protege dessa tentação todos os dias, mas pode tornar as pessoas mais lúcidas..  

 Uma cultura cooperativa reforçará a autonomia e as tendências à profissionalização do ofício de professor.

 

REFERÊNCIA:

EDSON LUIS AMARIO  - DIRETOR DE ESCOLA (CURSINHO SOLIDÁRIO - EMEF ANTONIO D'ÁVILLA "CIDADE tIRADENTES").

SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR EM:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_Perrenoud

 

 

 

 

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2 comentário(s)

  • pedagogiaunicidiesdeguaianas Dom 19 Fev 2012 00:04
    Este artigo não é de minha autoria. Foi encaminhado pelo Diretor de Escola e professor do curso solidário preparatório para concursos, Edson L. Amario, conforme referência no blog. Portanto, acredito que não haja problema em copiá-lo. Um abraço, Lucy.

  • santos mailto

    Qua 01 Fev 2012 13:27

    preciso copiar


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