LERNER, DELIA. LER E ESCREVER NA ESCOLA: O REAL, O POSSÍVEL E O NECESSÁRIO.  (CONCURSO - LIVROS E ARTIGOS) escrito em terça 29 dezembro 2009 16:32

APROPRIAÇÃO DO SISTEMA DE ESCRITA, DELIA. LER E ESCREVER NA ESCOLA: O REAL, DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E DA ESCRITA, O POSSÍVEL E O NECESSÁRIO., CONTRATO DIDÁTICO, ELABORAÇÃO DO PROJETO CURRICULAR, LER E ESCREVER NA ESCOLA, LERNER

 

 

Delia Lerner - Investigadora em didática da leitura e escrita e em didática da matemática. Professora do departamento de Ciências da Educação da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires. Em língua portuguesa, tem publicado pela Artmed Editora: A matemática na escola: aqui e agora (1995); com Parra, C. et al. Didática da matemática: reflexões psicopedagógicas (1996); com Palacios, A. e Muñoz, M. Compreensão da leitura e expressão escrita: a experiência pedagógica (1998).

LERNER, DELIA. LER E ESCREVER NA ESCOLA:  O REAL, O  POSSÍVEL E O NECESSÁRIO. 

PORTO ALEGRE: ARTMED, 2002 Este

Este

Este livro traz a dimensão de trabalhar na escola as práticas de leitura e escrita como objetos de ensino isto é a transformação da prática docente na alfabetização básica.

 

Capítulo 1:  LER E ESCREVER NA ESCOLA:  O REAL, O POSSÍVEL E O NECESSÁRIO

 

O que se põe como necessário para nós é o enfrentamento do real no intuito de formar alunos praticantes da cultura escrita.

Para tanto é necessário redimensionar o ensino das práticas de leitura e escrita como práticas sociais.  Precisamos formar uma comunidade de leitores e escritores.

Para  esse redimensionamento é preciso olhar e analisar cinco questões presentes na escola:

 

1-       A  escolarização das práticas de leitura e escrita  e de escrita proporciona problemas intensos;

Para trabalhar na escola as práticas sociais reais é necessário uma mudança no processo de democratização do conhecimento e da função implícita de reproduzir a ordem social estabelecida.

2-       Os fins que se notam na escola ao ler e escrever são diferentes dos que dirigem a leitura e a escrita fora dela – não há função social real;

Para uma aprendizagem significativa é necessário aliar os propósitos didáticos e os propósitos comunicativos de ler e escrever.

3-       A inevitável distribuição dos conteúdos no tempo pode levar a parcelar o objeto de ensino;

As práticas de leitura e escrita são totalmente indissociáveis que sobrevivem a divisão e à sequenciação dos conteúdos.

4-       A necessidade institucional de controlar  a aprendizagem leva a pôr em primeiro lugar os aspectos mais compreensíveis da avaliação;

5-       A maneira como se distribuem os direitos e obrigações entre o professor e os alunos, determina  quais são os conhecimentos e estratégias que as crianças têm ou não a oportunidade de exercer e, portanto quais poderão ou não aprender.

Como o dever do professor é avaliar, o aluno tem poucas oportunidades de auto controlar o que compreendem  ao ler  e de auto corrigir seus escritos.

 

O POSSÍVEL a fazer é aliar os propósitos da instituição escolar aos propósitos educativos de formar leitores e escritores, criando condições didáticas favoráveis a uma versão escolar mais próxima da versão social dessas práticas.

 Para esse fim é necessário:

a)       A elaboração de um projeto curricular;

b)      Articulação dos objetivos didáticos com objetivos comunicativos, essa articulação pode efetivar-se através de uma modalidade organizativa sabida que são os projetos de produção-interpretação;

c)       Os projetos orientam as ações para a realização de um objetivo compartilhado.

É imprescindível compartilhar a função  avaliadora.

 

Capítulo 2 : PARA TRANSFORMAR O ENSINO DA LEITURA E DA ESCRITA

 

Para que a escola produza transformações substanciais com o objetivo de tornar as práticas de leitura e escrita significativas:

 

·         Formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas decifradores do  sistema  de escrita.

·         Formar seres humanos críticos aptos de ler entrelinhas e de adotar uma posição  própria.

·         Formar pessoas desejosas de embrenhar-se em outros mundos possíveis que a leitura oferece, disposta a identificar com o semelhante ou solidarizar-se com o desigual e hábil de admirar a qualidade literária.

·         Orientar ações para constituição de escritores, de pessoas que saibam informar-se por escrito com os demais e com elas mesmas.

·         Atingir produções de língua escrita conscientes da pertinência e da importância de dar certo tipo de mensagem em determinado tipo de posição social.

·         O desafio é que as crianças manejem com eficácia os diversos escritos que circulam na sociedade.

·         Obter que a escrita aceite de ser na escola apenas um objeto de avaliação  para se constituir num objeto de ensino.

·         Gerar a descoberta do emprego da escrita como instrumento de raciocínio sobre o próprio pensamento, como recurso para organizar e reorganizar o próprio conhecimento.

·         Resistir a discriminação que a escola age atualmente, não só quando cria  fracasso explícito daqueles que não conseguem alfabetizar, como também quando impede aos  outros que aparentemente não fracassam, chegar a ser leitores e produtores de textos competentes e independentes.

·         O desafio é combater a discriminação unir esforços para alfabetizar todos os  alunos assegurando a apropriação da leitura e escrita como ferramentas essenciais ao progresso cognoscitivo e der crescimento pessoal. 

 

 É  POSSÍVEL MUDANÇA  NA ESCOLA?

 A instituição sofre uma verdadeira tensão entre dois pólos contraditórios:

A rotina repetitiva e a moda são obstáculos para a verdadeira mudança.

As mudanças acima apontadas só serão possíveis através da capacitação qualitativa dos professores e da instituição escolar.Será preciso estudar os mecanismos  ou fenômenos que ocorrem na escola  e impedem que todas as crianças se apropriem dessas práticas sociais de leitura e escrita.

 ACERCA DO  “CONTRATO DIDÁTICO”

  • O contrato didático serve para deixar claro aos professores e alunos suas parcelas de responsabilidades na escola e na relação ensino/aprendizagem.
  • Estabelecer objetivo por ciclo para diminuir a fragmentação do conhecimento;
  • Atribuir maior visibilidade aos objetivos gerais do que aos específicos;
  • Evitar o estabelecimento de uma correspondência termo a termo entre os objetivos e atividades;

Ultrapassar o tradicional isolamento entre a “apropriação do sistema de escrita” e “”desenvolvimento da leitura e escrita”

Vale lembrar que as mudanças são possíveis se o coletivo escolar assim o fizer.  A escola deve se tornar um ambiente de formação da comunidade leitora e escritora. No caso da alfabetização, duas questões são fundamentais: assegurar a formação de leitores e produtores de textos e considerar como eixo de formação o conhecimento didático

CAPÍTULO 3:  APONTAMENTOS A PARTIR DA PERSPECTIVA CURRICULAR

Os documentos curriculares devem aliar o objeto de ensino com as possibilidades do sujeito de atribuir um sentido pessoal a esse saber.  Não devem se caracterizar documentos prescritivos.

Os documentos curriculares devem ter como foco a adoção de decisões  acerca de conteúdos  que devem ser ensinados:  importante decidir o que vai se ensinar com vistas no objeto social e com qual hierarquização, isto é, o que é prioritário.

O que deve permear essas escolhas são os verdadeiros  objetivos da educação: incorporar as crianças à comunidade de leitores e escritores, e formar cidadãos da cultura escrita.

Lerner aponta que a leitura não deve ser sem um propósito  específico. A leitura e a escrita nascem sempre interpoladas nas relações com as pessoas, supõem intercâmbios entre leitores acerca dos textos: interpretar, indicar, contestar, intercambiar e outros.  Esse é o verdadeiro sentido social dessa prática.

Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos e não tarefas, porque são aspectos do que se espera que os alunos aprendam.

Comportamento leitor:  explanar, recomendar, repartir, confrontar, discutir, antecipar, reler, saltar, identificar, adaptar e outros.

Comportamento do escritor: planejar, textualizar, revisar.

A escola precisa permitir o acesso aos textos através da leitura em suas diferentes funções.

 CAPÍTULO 4: É POSSIVEL LER NA ESCOLA?

Na escola é necessário trabalhar a leitura com duplo propósito: o propósito didático e o propósito comunicativo.

O primeiro propósito corresponde a ensinar certos conteúdos constitutivos da prática social da leitura, com a finalidade de que o aluno possa utilizá-la no futuro, em situações não-didáticas.

O segundo propósito é da perspectiva do aluno.

Como trabalhar os dois propósitos: Através de projetos que aliam a aprendizagem  a uma função real para os alunos.

·        Ler para definir um problema problema prático;

·        Ler para se informar de um tema interessante;

·        Ler para escrever ou produzir um texto;

·        Ler para buscar informações específicas;

·        Ler para escolher, entre os contos, poemas ou romances.

 GESTÃO DO TEMPO, APRESENTAÇÃO DE CONTEÚDOS E ORGANIZAÇÃO DAS ATIVIDADES

É fundamental para o trabalho com essa diferente visão produzir uma transformação qualitativa na utilização do tempo didático.

Manejar com flexibilidade a duração das situações didáticas e tornar possível a retomada dos próprios conteúdos em diferentes ocasiões e a partir de perspectivas diversas.

As práticas sociais de leitura e escrita tornam-se mais significativas e têm seus objetivos cumpridos ao organizar a rotina dentro das modalidades didáticas:

  • Projetos – apresentam assuntos nos quais a leitura ganha sentido cujos múltipos aspectos se articulam  para a elaboração de um produto tangível.
  • Atividades Habituais – repetem-se de forma metódica previsível uma vez por semana ou por quinzena, durante vários meses ou ao longo de todo ano escolar.
  • Sequências de atividades – são dirigidas para se ler com crianças diversos exemplares de um mesmo gênero de gêneros diferentes obras de um mesmo autor ou diferentes textos sobre um mesmo tema; incluem situações de leitura cujo único propósito explícito e compartilhado com as crianças, é ler.
  • Situações independentes: estas dividem-se em situações ocasionais e situações de sistematização

 ACERCA DO CONTROLE: AVALIAR A LEITURA E ENSINAR A LER

 A avaliação é fundamental no processo escolar, pois possibilita verificar se os alunos aprenderam o que o professor se propôs ensinar.

Para evitar que a pressão da avaliação se torne um obstáculo para a formação de leitores, é obrigatório, por um lado por em primeiro plano os propósitos referentes à aprendizagem de tal modo que não se subordinem ao controle e por outro lado  criar modalidades de trabalho em o controle seja responsabilidade  do aluno.

  O professor como um ator no papel de leitor

  O professor como leitor proficiente é um  modelo fundamental para os alunos. É necessário que leia e informe aos alunos tudo que é pertinente à leitura,: estratégias eficazes quando a leitura é compartilhada, como delegar  a leitura, individual ou coletiva, às crianças , o professor  está ensinando a ler . Ele é modelo de leitor das crianças

Nesta capítulo a autora conclui: É possível sim ler na escola se: se consegue produzir uma mudança  qualitativa na gestão do tempo didático, se se concilia a necessidade  de avaliar com as prioridades do ensino e da aprendizagem, se se redistribuem as responsabilidades de professor e alunos em relação à leitura para tornar possível a formação de leitores autônomos, se se desenvolvem na sala de aula e na instituição projetos que dêem sentido à leitura, que promovam o funcionamento da escola como uma microssociedade de leitores e escritores em que participem crianças, pai e professores, então..... sim é possível ler na escola        

 Capítulo 5:  O PAPEL DO CONHECIMENTO DIDÁTICO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR

A conceitualização da especificidade do conhecimento didático e a reflexão sobre a prática são apontadas pela autora como dois fatores importantes no trabalho de capacitação de professores.

O saber didático ainda que se apóie em saberes produzidos por outras ciências, não pode ser deduzido simplesmente deles é também  o resultado do estudo sistemático das interações que se produzem entre professor e aluno, os alunos e o objeto de ensino, é produto da análise das relações entre ensino e aprendizagem  de cada conteúdo específico, é elaborado através da investigação rigorosa do funcionamento das situações didáticas.

O registro realizado pelo professor é fundamental para dar vida ao conhecimento

didático: quando se torna objeto de reflexão faz da prática do professor uma prática consciente e possível de mudança.

REFERÊNCIA:

EDSON LUIS AMARIO - DIRETOR DE ESCOLA (CURSINHO SOLIDÁRIO EMEF ANTONIO D'ÁVILLA "CID. TIRADENTES).

SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR EM:

http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/construcao-significado.shtml

 

http://pedagogiaunicidiesdeguaianas.spaceblog.com.br/624046/DELIA-LERNER-AMBIENTE-ALFABETIZADOR/

 

 

             

             

  

 

 

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7 comentário(s)

  • pedagogiaunicidiesdeguaianas Ter 19 Fev 2013 14:43
    Quando comecei a me especializar em concursos públicos, fiz bastante pesquisas na Inernet e selecionei os melhores textos a partir das bibliografias sugeridas nos editais e reuni neste espaço a fim de colaborar com aqueles engajados no mesmo propósito. Portanto todos os créditos se devem aos autores.

  • Vilma Martinez

    Qua 02 Jan 2013 23:52

    Adorei o texto, pois é simples e de fácil compreensão, parabéns
    Colaborou muito
    grata

  • pedagogiaunicidiesdeguaianas Sáb 05 Mai 2012 16:39
    Obrigada pelo acesso, Eliana! Sempre que possível, acesse, divulgue, participe! Um abraço!

  • pedagogiaunicidiesdeguaianas Sáb 05 Mai 2012 16:38
    Obrigada pelo acesso, Graça! Sempre que possível, acesse, divulgue, participe! Um abraço!

  • graça mailto

    Ter 24 Abr 2012 00:25

    Gostei muito desse conteúdo; Parabéns.

  • Eliana

    Dom 22 Abr 2012 15:50

    Parabéns´pela iniciativa de colaborar, estava procurando sobre Delia pois é umas das autoras que cairá no concurso de minha cidades... Valeu !!!!

  • jose de arimatea pessoa mailto

    Sáb 21 Jan 2012 23:46

    gostei do texto,mas estou precisando da resenha do capito 4 do livro ler e escrever na escola:o real, o possivel e o necessario.de delia lener,com urgencia,pois tenho uma prova nesta segunda feira


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